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EU NÃO ESTAVA LÁ, MAS, QUERIA…

  • Foto do escritor: Victor Godoy
    Victor Godoy
  • 6 de mar. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 29 de set. de 2025

10 Anos sem Chorão. Acho que essa é primeira vez que eu me pego contando com

o uma década pode voar. Era uma manhã chuvosa, em um domingo qualquer de 2010. O que restava para uma criança de 9 anos, idade que eu tinha na época, era brincar um pouco e navegar pelas páginas da Internet na única hora em que meus pais permitiam. A moda que se popularizou na época era assistir vídeos no YouTube, e eu sempre amei passar o tempo descobrindo novas coisas.


Naquele domingo, lembro de ter visto um vídeo que mudou completamente minha percepção de música. Era o clipe de “Só os Loucos Sabem”, simples, mas icônico!  O Cadillac vermelho, a casa usada para gravação, a vista do alto dos prédios de São Paulo, os atores que participaram, e as mensagens de fé e esperança, tudo chamou a atenção. Naquele tempo eu nem fazia ideia, mas dessa música veio a frase que um dia eu eternizaria na minha pele: “Para quem tem pensamento forte, o impossível é só questão de opinião”.


Cena do clipe de "Só os loucos sabem"
Cena do clipe de "Só os loucos sabem"

Acho que a palavra ídolo é muito forte. Idolatria revela várias coisas que nunca fizeram muito sentido na minha cabeça, chegando a ser nocivo para quem idolatra. Para mim, melhor e maior que isso, é a identificação. E isso eu sempre senti. Minha maior dúvida sempre foi como alguém que sequer tive a oportunidade de conhecer pessoalmente conseguiu escrever coisas que se conectam tanto com meus pensamentos e sentimentos. 


Cada nova letra que eu descobria era uma explosão de sentimentos. Desde a mais profunda paz, ouvindo “Céu Azul” em um domingo de manhã, até a mais pura revolta ouvindo “Não é Sério”, nas incontáveis noites madrugando com os amigos, e muitas vezes apenas com os fones de ouvido. Ou a euforia de dedicar “Uma criança com seu olhar” para a amada, e pouco tempo depois ouvir “Hoje sou eu que não mais te quero” pensando na mesma pessoa. Parece que cada composição faz referência a uma passagem de vida, como uma trilha sonora.


A identificação também me permite saber que assim como todos nós, aquele artista que gostamos muito também comete erros. E ele não merece ser terrivelmente atacado por causa disso, ou, defendido do que é indefensável. Já ouvi de muitas pessoas que conviveram com o Chorão que, apesar de ser uma pessoa com um temperamento forte, o seu coração era incrível. 


Hoje faz 10 anos que Chorão se foi, e até hoje esse é um assunto que gera uma melancolia gigantesca. A perda repentina, sem aviso, deixou uma geração inteira sem entender o que aconteceu. E também mostrou que, às vezes, nem os mais fortes encontram uma saída, ou aprendem a viver com os contrastes da vida.


É incrível como mesmo depois de muito tempo o Charlie Brown Jr continua com o posto de banda de rock nacional mais ouvida de todas as plataformas de streaming, com lançamentos de mais de uma década. Até hoje é possível encontrar centenas de novos comentários com frases como “você deixou saudades” nas redes sociais. 


Saber o que diria Chorão sobre tudo que vem acontecendo no nosso país e no mundo não é muito difícil, suas letras tão atemporais e atuais continuam traduzindo o sentimento de uma geração que cada vez mais se vê sem grandes referências. Sinceramente? Trocaria TODOS os shows que fui até hoje pela oportunidade de uma noite ouvindo o Chorão cantar ao vivo. Muita luz aí em cima, Alexandre!



-Texto publicado no Jornal A Tribuna em 6/3/2023-

 
 
 

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